Porta-voz com falhas na oratória pode comprometer imagem corporativa

publicada em: 12/02/2010

Escalado para representar a empresa no contato com a mídia e outros grupos de interesse, o porta-voz é habitualmente escolhido para a função por conta de atributos como posição na hierarquia empresarial, facilidade de falar em público, bom relacionamento interpessoal e conhecimento profundo dos negócios da companhia. No entanto, apesar dessas características, problemas relacionados à fala e à postura em público podem influenciar o discurso e afetar a imagem de toda a corporação.

Segundo a jornalista e especialista em Media Training (Treinamento de Mídia), Aurea Regina de Sá, os principais problemas de oratória que acometem muitos porta-vozes são má dicção, trejeitos exagerados, postura inadequada e vícios de linguagem. “Na maioria das vezes, o porta-voz não percebe em si mesmo essas falhas, e os demais profissionais da empresa têm receio de alertar para os erros”, explica. “O que não se leva em consideração é que tudo que repercute além dos portões da corporação vira domínio público e essas falhas podem inverter o objetivo de divulgar positivamente a companhia”, alerta.

O primeiro dos problemas é a dicção que, quando imprecisa, sem a emissão correta de cada som da fala, pode transmitir a ideia de que o porta-voz da empresa está mal preparado ou inseguro. Também a má postura e trejeitos exagerados (tiques, tom de voz muito alto ou muito baixo, risadas altas, entre outros) são facilmente notados e classificados negativamente. É o que aponta  a fonoaudióloga Camila Mercatelli, diretora da Comunicare Fonoaudiologia Especializada. “Um indivíduo que fala alto e gesticula demais, por exemplo, em qualquer tipo de ambiente, transmite a imagem de alguém sem limites e agressivo, daqueles que querem ‘ganhar a vida no grito’”, alerta.

Os vícios de linguagem também estão no topo das falhas que os porta-vozes cometem e não percebem. “Principalmente no início de um treinamento de mídia e até mesmo em coletivas de imprensa onde já estive, é muito comum ouvir o ‘tipo assim’, ‘com certeza’, ‘né’, ‘tá’, sem que o comunicador se dê conta do erro”, conta Aurea.

Para a especialista, a saída para eliminar o problema é uma só: treino. Ela explica que o media training é bastante procurado não só pelos executivos recém designados à tarefa de porta-voz e que precisam aprender a comunicar-se em público, mas principalmente por aqueles que já têm uma certa experiência e querem eliminar essas falhas na comunicação. “O media training é indicado a esses dois tipos de profissionais e mesmo a departamentos inteiros ligados a assuntos considerados críticos na companhia. Por meio de exercícios práticos, é simples identificar junto ao participante do treinamento quais são suas falhas de linguagem e comportamento em público e trabalhar para suprimi-las”, explica Aurea, que destaca ainda o auxílio da fonoaudiologia como um recurso essencial para casos mais extremos de reabilitação de todas as formas de comunicação.