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Comunicação e Crise
Programas humorísticos expõem a falta de habilidade dos políticos em dar entrevistas
publicada em: 07/11/2009
É pra dar risada ou pra chorar? Ouvir uma entrevista de um político em um programa de humor parece piada. Não só pelo resultado da entrevista como pela falta de habilidade de alguns políticos em lidar com o jornalista e com o tema da matéria. Às vezes a forma como a resposta é concedida transforma a situação numa tragédia que, de tão absurda, se torna cômica.
Com exceção dos entrevistados profissionais, a maioria escorrega para responder as perguntas objetivas, contundentes e até por vezes inconvenientes dos repórteres. Dou destaque aos programas humorísticos, porque o que eles expõem são exatamente as deslizadas. Num programa jornalístico, grande parte dos erros, enrolações e até mesmo a falta de nexo das respostas passam por um filtro chamado edição. Para ficar engraçado e ganhar audiência, o programa de teor humorístico usa exatamente o que um jornal desperdiçaria. Ou seja, os jornais acabam resguardando a imagem negativa do entrevistado e os programas de humor escancaram o que houver de incorreto, engraçado e duvidoso. Na tentativa de evitar a exposição, alguns se negam a participar de entrevistas. Quando o pedido do contato entre político e jornalista é feito com antecedência, ninguém fica sabendo que houve a recusa. Mas quando a entrevista é de ‘bate-pronto’, na surpresa, falar não ou não falar pode ser perigoso. No mínimo mostra antipatia, falta de bom humor e pode colocar em dúvida o envolvimento do político com o assunto em questão. Fica no ar aquela história do ‘quem cala, consente’. O que alguns ainda sabem ou não querem acreditar é que é impossível se safar das crises, evitando o contato com os jornalistas. Na verdade, é um beco sem saída, porque o entrevistado se expõem se der ou se não der entrevista. Como a lei da transparência é a que mais agrada o eleitor consciente, o melhor é se mostrar, mesmo que seja para dizer que não há nada para falar.
