Quem tem medo de jornalista?

publicada em: 15/06/2009

Vou responder de cara: muita gente tem. Mas esse medo aí não é o temor pelo poder, o tal quarto poder como é conhecida a imprensa. Muitos entrevistados declaram que o medo vem da falta de conhecimento do entrevistador que erra à toa. Às vezes erra porque não sabe perguntar e deixa de reunir as informações suficientes para produzir o texto. Mas é bom que seja dito que o jornalista também corre o risco de errar se o entrevistado for prolixo e usar termos técnicos demais. O cúmulo do absurdo é a fonte ficar irritada quando o jornalista pergunta duas vezes a mesma coisa.

Certa vez entrevistei um engenheiro químico que, durante a conversa esbravejou: "Você tinha que ser especializada em química!". Surpresa, eu respondi: "Não posso ser especializada em todos os assuntos. Só preciso entender o que o senhor está dizendo para repassar a informação aos leitores". Nem preciso dizer que o clima ficou ruim. Mas uma coisa eu garanto: se a paciência e a dedicação dele tivessem sido um pouquinho maiores, o resultado do meu trabalho teria sido bem mais produtivo. A reportagem é construída a dois: um transmite a informação, o outro registra. A matéria não existe se não for costurada assim, por isso a importância da contribuição do entrevistado.

Enquanto faltar conscientização sobre o valor do espaço editorial na imprensa que, por sinal, é de graça, as fontes vão continuar reclamando dos jornalistas. Que tal se houvesse a postura de parceria? Afinal estamos falando de COMUNICAÇÃO. Se ela for positiva, todos ganham.

Aurea Regina de Sá é jornalista, pós graduada em Comunicação Empresarial e especialista em Media Training, treinamento que capacita porta-vozes no relacionamento com a imprensa.